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IA que Convence Mesmo Quando Erra: o Risco que Todo Dev Precisa Entender

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, alerta: o maior perigo dos LLMs não é errar, é errar com argumentos convincentes. Entenda o que isso muda para quem escreve c

·4 min de leitura·9 visualizações

Os modelos de linguagem de hoje, como Claude Sonnet 4.6, GPT-5.5 e Gemini 2.5 Pro, falam tão bem que as pessoas estão começando a confiar neles mais do que deveriam. Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e pesquisador de ciência cognitiva, deu uma entrevista ao Giz Brasil que levanta um alerta direto para quem usa IA no dia a dia do desenvolvimento: o problema não é a IA errar. É ela errar e ainda te convencer de que está certa.

O que é um LLM e por que ele "convence"

Um LLM (Large Language Model, ou modelo de linguagem de grande escala) é um sistema treinado em bilhões de textos para prever a sequência mais provável de palavras. Ele não "sabe" se uma resposta é verdadeira. Ele gera o que estatisticamente faz sentido vir a seguir.

O problema: respostas estatisticamente coerentes soam convincentes. E quando você está depurando um bug às 23h, um argumento bem articulado sobre "por que essa abordagem funciona" pode te fazer aceitar código quebrado sem questionar.

# Exemplo: você pergunta ao modelo como validar um JWT
# Ele responde com código funcional, mas sem verificar a expiração
# O texto explicativo é tão claro que você não percebe a falha
import jwt
payload = jwt.decode(token, SECRET, algorithms=["HS256"])
# faltou: options={"verify_exp": True}

O código acima compila, passa em testes superficiais e o modelo explica com fluência por que está correto. Esse é exatamente o risco que Cortiz descreve.

Agentes: autonomia sem regras ainda

Cortiz também chama atenção para o momento atual dos agentes de IA, que são sistemas que usam LLMs para executar tarefas de forma autônoma. Um agente pode receber uma instrução como "reserve um voo para sexta" e agir sozinho: pesquisa, compara preços, preenche formulários, confirma pagamento.

Para devs, isso já chegou em forma de ferramentas como Claude Code, Cursor e Copilot Workspace, que não apenas sugerem código mas executam passos em sequência sem intervenção humana.

O alerta de Cortiz é que ainda não existem regras claras para os limites de atuação desses agentes, seja em nível regulatório, seja em nível de produto. Como dev, você é o responsável por definir esses limites na sua aplicação.

Algumas perguntas que você deve se fazer ao integrar agentes:

  • O agente pode executar operações irreversíveis (deletar dados, fazer pagamentos)?
  • Há um ponto de confirmação humana antes de ações críticas?
  • Você consegue auditar o que o agente fez e por quê?

Antropomorfização e o impacto no seu trabalho

Antropomorfização é projetar características humanas em coisas que não são humanas. Quando o modelo escreve "entendo sua frustração com esse erro", você não está falando com alguém que entende nada. É uma predição de tokens que replica padrões de empatia dos textos de treinamento.

Isso importa para devs porque:

  1. Você pode aceitar respostas erradas por confiar demais no tom seguro do modelo. Um modelo que diz "certamente, a melhor abordagem é..." não tem certeza nenhuma.

  2. Pode subestimar a necessidade de revisão. Se o modelo parece confiante, a tendência humana é reduzir o escrutínio.

  3. Relacionamentos parasociais com ferramentas (aquela sensação de que "o Copilot me entende") podem criar uma dependência que atrofia o raciocínio crítico sobre o código gerado.

O que muda na prática

Cortiz não está dizendo para parar de usar IA. Está dizendo para não confundir fluência com correção. Algumas práticas concretas:

Trate saída do modelo como PR de um dev júnior. Revise com o mesmo cuidado. O fato de o texto estar bem escrito não significa que a lógica está correta.

Peça ao modelo para argumentar contra a própria resposta. Prompts como "quais são os problemas com essa abordagem?" frequentemente revelam falhas que a resposta original escondia.

Nunca use código gerado por IA em contextos de segurança sem revisão especializada. Criptografia, autenticação, validação de entrada: esses são os lugares onde um argumento convincente e errado causa mais estrago.

Implemente human-in-the-loop em agentes. Para qualquer ação com efeito colateral real, exija confirmação humana antes de executar.

Conclusão

A interface mais natural que já criamos, a linguagem, é também a mais perigosa quando usada para mascarar incerteza. Cortiz resume bem: a IA não precisa estar certa para ser persuasiva. E para desenvolvedores que integram esses sistemas em produtos reais, entender essa distinção é parte do trabalho técnico, não só filosófico. Ética e segurança não são pós-processamento. Precisam entrar no design desde o início.

Fonte: https://gizbr.uol.com.br/inteligencia-artificial-etica-e-a-seguranca-ficaram-em-segundo-plano-diz-diogo-cortiz/

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